Desde o
início dos tempos que os povos olharam para as estrelas como uma fonte
espacial e temporal de orientação nocturna - nas navegações
por mares e desertos, na agricultura, na religião, etc. Por outro lado,
com todos aqueles "olhos" do céu a vigiá-los, estabeleceram laços
de afinidade com as estrelas, para tê-las por companheiras. Na sua fértil
imaginação, ligavam algumas estrelas mais brilhantes a configurações
em que imaginavam figuras de animais ou pessoas, geralmente com significado
mitológico. A essas configurações chamamos
constelações.
Ao observares os pontos brilhantes do céu, numa noite limpa, não terás qualquer indicação da distância a que esse ponto está - poderá ser um avião ao longe, um planeta ou uma estrela a anos-luz. Como só consegues ver a posição, facilmente imaginas que todos os astros estão "colados" na superfície interior de uma esfera que envolve a Terra, com um raio gigantesco, em que o planeta Terra representa o centro dessa esfera. (Os antigos gregos acreditavam na existência real dessa esfera.) Este modelo do céu é denominado Esfera Celeste - a Esfera Armilar é o modelo físico dessa mesma esfera. A Esfera Celeste é composta por duas meias esferas, a Norte e a Sul, comumente designadas por esferas (e não por meias-esferas). Cada uma dessas esferas só é visível pelos habitantes de cada um dos hemisférios correspondentes da Terra. Por exemplo, em Portugal, só vemos a Esfera Celeste Norte. Obviamente que todos os astros representados na esfera celeste estão a distâncias diferentes uns dos outros; a sua projecção na esfera serve somente à comodidade da nossa compreensão.
O sistema de coordenadas utilizado na cartografia dos mapas da esfera celeste são as coordenadas equatoriais, similares às coordenadas geográficas da Terra. Análogo à latitude e à longitude, a Declinação (d) e a Ascenção Recta (a), respectivamente, indicam a posição correcta de um astro no céu.
A declinação indica quão distante está uma estrela do equador celeste (equiparável ao equador geográfico). O valor da declinação será positivo ou negativo, conforme a estrela esteja acima ou abaixo do equador celeste - este com d = 0 º. O pólo norte celeste - dado pela Estrela Polar - à volta do qual roda a Esfera Celeste Norte, tem d = +90 º.
A ascenção recta é referida ao ponto vernal (equinócio da Primavera), e mede-se, tradicionalmente em horas, em que 1 h = 15 º. A Ascenção Recta aumenta até às 12 h (180 º), à medida que avanças para Este, no sentido contrário ao dos ponteiros do relógio. A utilização desta medida horária prende-se com o facto de a esfera celeste rodar, totalizando uma rotação completa de Oeste para Este (a = 24 h) num dia (24 h de tempo). É devido a essa rotação que algumas constelações só são visíveis nalgumas épocas do ano.
As estrelas que observamos têm posições fixas na esfera celeste - excepto o Sol. Este astro move-se cerca de 1º por dia, completando um círculo de a = 24 h ao fim de um ano. Astronomicamente, o seu ponto de "partida" é a 21 de Março, quando atravessa o equador celeste, de Sul para Norte - esta intersecção é o ponto vernal, em que a = 0 h. Nos períodos seguintes de 3 meses, ou de 6 h de Ascenção Recta, o Sol atinge o solstício de Verão, o equinócio de Outono e o solstício de Inverno. Este caminho é designado por eclíptica. Nalguns mapas estelares, a eclíptica é representada por uma sinusóide que os atravessa.
Sabendo que o Sol está no mesmo plano espacial que os planetas do nosso sistema solar, facilmente os encontras perto da eclíptica. (Também as constelações do signo do Zodíaco se encontram na eclíptica.)
Na Astronomia moderna, as 88 constelações conhecidas perderam o seu significado original, passando a definir regiões específicas no céu. Algumas dessas constelações remontam há 5000 anos atrás, mas muitas delas foram herdadas da mitologia grega. Devido às posições geográficas dos observadores (hemisfério Norte), foram somente atribuídos nomes àquelas regiões visíveis dos seus pontos de observação.
As regiões da esfera celeste Sul obtiveram os seu nomes, mais tarde, do astrónomo Johan Bayer. Este manteve a tradição, atribuindo nomes ligados ao mar e suas criaturas. Posteriormente, La Caille acrescentou as últimas 13 constelações para encher algumas regiões pobres em estrelas. Finalmente quebrou a tradição, pois utilizou equipamento científico como referência.

Embora inicialmente se
tenham dado nomes às estrelas que compõem as
constelações, a sua imensidão requeria um
método mais sistemático.
Bayer inventou um sistema em que a cada estrela que compunha a
constelação era acrescentada uma letra grega juntamente com o nome
latino da constelação: por exemplo, Betelgeuse é, também,
Alpha-Orionis. Devido ao número demasiado baixo de letras no alfabeto grego,
Flamsteed criou um segundo sistema. Neste, cada estrela era referida por um número
árabe indicando a sua proximidade à ponta mais a oeste da
constelação; assim, 3-Orionis denota a 3ª estrela que está mais perto
da ponta oeste.
Reconhecer constelações no céu pode ser muito penoso e desinteressante, se não tivermos alguma base de apoio. As estrelas são tantas...

Mas é muito fácil
encontrar essa informação, tanto na
Internet,
como em algumas Livrarias (p.e., Bertrand),
desde a sua história até à sua composição. Um bom truque
para encontrar constelações
no céu, é a de decorar duas ou três, e conhecer os vizinhos.
(Eis dois bons exemplos: o primeiro e o
segundo!)
Por exemplo, se
encontrares três estrelas, juntinhas, em linha (vide a esfera celeste representada acima),
encontraste Orionte! À sua
frente estará Touro, em baixo, Lebre, à sua esquerda, Cão Maior... E utiliza,
sempre que possível,
mapas estelares, para não te
perderes!